A Festa do Pau da
Bandeira de Santo Antônio, em Barbalha, passa por processo de reavaliação conduzido
pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional
(IPHAN) como Patrimônio Cultural do Brasil. A etapa está prevista
na legislação do patrimônio imaterial e tem como objetivo confirmar o
título concedido em 2015.
Parte do processo foi
realizada em reuniões com a comunidade, com participação de carregadores,
mestres da cultura popular, representantes religiosos, pesquisadores e gestores
públicos. O procedimento teve início em 23 de março e segue até 23 de
abril. A revalidação de um bem cultural registrado pelo Iphan ocorre, no
mínimo, a cada dez anos, conforme o Decreto nº 3.551 e a Resolução Iphan
nº 5.
Após o período de 30 dias,
manifestações sobre o parecer de revalidação serão incorporadas ao processo e
analisadas pela Câmara Setorial de Patrimônio Imaterial. Em seguida, o processo
será encaminhado ao Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural, responsável
pela decisão sobre a revalidação do título.
A Festa do Pau da Bandeira
A celebração ocorre desde
1928 e foi inscrita no Livro de Registro das Celebrações do Iphan em 2015.
O cortejo acompanha a prática de erguer, em frente à igreja matriz, um tronco
para receber a bandeira do padroeiro.
O evento envolve diferentes
segmentos da população e conta com a participação dos carregadores do pau,
responsáveis pela escolha e corte do tronco que será utilizado como mastro. No
dia da festa, os carregadores percorrem cerca de sete quilômetros, do
local de preparação até a Praça da Matriz de Santo Antônio, no centro de
Barbalha, conduzindo o mastro.
Relatório técnico e mudanças
nos festejos
O Portal M1 teve
acesso ao relatório técnico disponibilizado pelo IPHAN, e
o documento informa que a festa reúne atualmente cerca de 66 grupos
folclóricos, incluindo bandas cabaçais, reisados, quadrilhas e penitentes,
configurando um panorama das manifestações culturais do Cariri. O evento é
descrito como um “catálogo das formas de expressão tradicional” da região.
O ciclo festivo começa com o corte
do pau, cerca de duas semanas antes da festa, mobilizando a comunidade em
um ritual que combina tradição e convivência social. Nos últimos anos, o
processo passou a seguir regras ambientais mais rígidas, após acordo com
órgãos ambientais que proíbe o corte em áreas protegidas.
Entre as mudanças recentes,
está a criação da Associação dos Carregadores, em 2024, com objetivo de
ampliar a valorização do grupo ao longo do ano, incluindo acesso a
benefícios e atividades formativas. Também foram implementadas ações como
a Tenda da Salvaguarda e novos cuidados com o bem-estar animal
durante o corte e transporte do mastro.
O documento aponta ainda o
surgimento de novos elementos culturais, como as “Noivas de Santo Antônio”,
incorporadas ao festejo desde 2017.
Desafios registrados
Apesar dos avanços, o
documento registra desafios. Há relatos recentes de violência envolvendo
o corte do pau, com presença de pessoas armadas e ameaças a
carregadores. Também persiste a desigualdade na distribuição de recursos entre artistas
locais e atrações de grande visibilidade.

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