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Em Crato, no Cariri
cearense, aproximadamente 270 trabalhadores atuam em ritmo acelerado nas obras
de requalificação do canal do Granjeiro, que alcançou 50% de execução em maio.
Uma obra estruturante que, além de entregar um canal com capacidade de vazão
ampliada, vai melhorar o espaço urbano com a pavimentação de ruas e mais
conexão entre bairros da cidade.
O projeto de requalificação
está dividido em três etapas, com as duas primeiras sendo executadas pelo
Governo do Ceará, por meio do Consórcio Rio Granjeiro, e supervisão da
Superintendência de Obras Públicas (SOP). O investimento estadual é de R$ 104,4
milhões.
Com uma extensão de 2,2
quilômetros, o projeto compreende desde a Ponte de Bia até próximo ao Mercado
Walter Peixoto. O novo canal será todo em concreto e no formato retangular, com
alturas e larguras variadas, e contará com uma bacia de amortecimento, um
vertedouro (estrutura que controla e libera o excesso de água) tipo labirinto e
cortinas atirantadas (sistemas de contenção).
De acordo com o engenheiro
civil e gerente do Distrito de Operação do Crato/SOP, José Muniz, uma das
principais ações é a construção da bacia de amortecimento, para evitar o
transbordamento do canal. “Ela é o coração do canal porque vai quebrar a
energia das águas que vêm do Rio Granjeiro desde a Chapada do Araripe, que vêm
numa diferença de nível imensa, mais de 300 metros de altitude, até o Centro do
Crato”, pontua Muniz. A nova estrutura vai triplicar a capacidade de vazão do
canal.
Há décadas, conta o
engenheiro civil, as águas não contidas pelo antigo e estreito canal causam
enchentes e alagamentos na zona urbana do município durante o período chuvoso.
“Essas águas arrastam por quilômetros pau, pedra, lixo, e vêm destruindo tudo o
que está na frente. Meu pai tinha um comércio no Centro. Na década de 1990,
houve uma enchente muito grande e levou tudo que ele tinha”, lembra.
A professora aposentada
Maria Castelina de Alencar (Nicinha), de 86 anos de idade, é testemunha desses
transtornos desde a época que morava próximo ao mercado. Há oito anos, ela e a
filha Karen de Alencar, geógrafa de 55 anos, residem no bairro Novo Crato, bem
próximo ao ponto onde está sendo construída a bacia de amortecimento.
“O início da obra foi aqui
atrás do meu muro, os primeiros passos, com aquela poeira toda. Eu vejo tudo na
câmera aqui de casa, converso com os trabalhadores, faço até garrafinha de
café. Tá fazendo parte da minha vida, então tento passar da melhor forma”,
relata Nicinha.

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