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terça-feira, 8 de setembro de 2026

Uma em cada quatro pessoas idosas sofre queda em um ano; exercícios podem ajudar a preservar autonomia



Com o envelhecimento acelerado da população brasileira, a prática de exercícios físicos ganha importância na manutenção da força, da mobilidade e da independência durante a terceira idade. Dados do Estudo Longitudinal da Saúde dos Idosos Brasileiros (ELSI-Brasil), realizado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), apontam que 25,1% dos idosos brasileiros residentes em áreas urbanas sofreram pelo menos uma queda em um período de 12 meses.

O percentual representa aproximadamente uma em cada quatro pessoas idosas e reforça a importância de estratégias voltadas à preservação da capacidade funcional, especialmente força, equilíbrio e mobilidade.

Para o profissional de Educação Física Jauan Anselmo, o envelhecimento exige adaptações na forma como os exercícios são planejados. Segundo ele, não é adequado simplesmente reproduzir para pessoas mais velhas protocolos desenvolvidos para adultos jovens.

“O corpo que envelhece continua respondendo ao treinamento e precisa dele. O erro está em acreditar que podemos manter indefinidamente a mesma carga, o mesmo volume e a mesma frequência que utilizávamos aos 20 ou 30 anos. A prescrição precisa acompanhar as mudanças do indivíduo”, explica.

De acordo com o especialista, variáveis como volume, intensidade, frequência e tempo de recuperação precisam ser ajustadas de acordo com as características e respostas de cada pessoa.

“Em muitos casos, reduzir o volume e aumentar a qualidade do estímulo é justamente o que permite treinar por mais tempo, com segurança e funcionalidade”, afirma.

Força e prevenção da perda muscular

Outro fator relacionado ao envelhecimento é a sarcopenia, caracterizada pela redução de massa, força e função muscular.

Um estudo publicado em 2024 na Revista Brasileira de Educação Física e Esporte, da Universidade de São Paulo (USP), aponta prevalência de 5% a 13% entre pessoas com 65 anos ou mais, podendo chegar a 50% após os 80 anos.

Para Jauan, o treinamento de força pode contribuir para que a pessoa mantenha a capacidade de realizar atividades cotidianas.

“Treinar para envelhecer bem é entender qual estímulo aquele corpo consegue receber, assimilar e recuperar. A pessoa precisa desenvolver força suficiente para subir uma escada, levantar de uma cadeira, carregar uma sacola ou reagir a um desequilíbrio. O objetivo final é preservar a autonomia”, afirma.

Uma pesquisa longitudinal publicada em 2025 na revista Ageing International, utilizando dados do UK Biobank, acompanhou 1.918 adultos de meia-idade e identificou associação entre níveis mais elevados de atividade física de intensidade moderada a vigorosa e menor risco de desenvolvimento de sarcopenia.

Excesso de treinamento também exige atenção

Embora a falta de atividade física possa contribuir para a perda de capacidade funcional, o excesso de treinamento sem recuperação adequada também pode prejudicar a evolução.

A síndrome de overtraining, por exemplo, está associada a queda de desempenho, fadiga persistente e alterações relacionadas à recuperação do organismo.

Por isso, Jauan destaca que o planejamento para pessoas mais velhas deve considerar não apenas os exercícios realizados, mas também fatores como sono, recuperação, histórico de lesões, doenças preexistentes, nível de condicionamento e resposta individual aos estímulos.

“Tentar combater o envelhecimento com uma lógica de treinamento que não respeita o próprio envelhecimento é um perigo. A pessoa que quer continuar ativa aos 60, 70 ou 80 anos precisa pensar em consistência, não em provar todos os dias quanto consegue suportar”, afirma.

Segundo o profissional, uma estratégia adequada deve priorizar a continuidade da prática ao longo dos anos, respeitando os limites e as necessidades individuais.

“Uma prescrição inteligente é aquela que permite que você continue treinando amanhã, no próximo mês e nos próximos anos”, conclui.

A prática de exercícios físicos deve ser orientada de acordo com as condições individuais de cada pessoa, especialmente no caso de idosos com doenças preexistentes, histórico de quedas ou outras limitações funcionais.

 


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