Com o envelhecimento
acelerado da população brasileira, a prática de exercícios físicos ganha
importância na manutenção da força, da mobilidade e da independência durante a
terceira idade. Dados do Estudo Longitudinal da Saúde dos Idosos Brasileiros
(ELSI-Brasil), realizado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), apontam
que 25,1% dos idosos brasileiros residentes em áreas urbanas sofreram pelo
menos uma queda em um período de 12 meses.
O percentual representa
aproximadamente uma em cada quatro pessoas idosas e reforça a
importância de estratégias voltadas à preservação da capacidade funcional,
especialmente força, equilíbrio e mobilidade.
Para o profissional de
Educação Física Jauan Anselmo, o envelhecimento exige adaptações na forma
como os exercícios são planejados. Segundo ele, não é adequado simplesmente
reproduzir para pessoas mais velhas protocolos desenvolvidos para adultos
jovens.
“O corpo que envelhece
continua respondendo ao treinamento e precisa dele. O erro está em acreditar
que podemos manter indefinidamente a mesma carga, o mesmo volume e a mesma
frequência que utilizávamos aos 20 ou 30 anos. A prescrição precisa acompanhar as
mudanças do indivíduo”, explica.
De acordo com o
especialista, variáveis como volume, intensidade, frequência e tempo de
recuperação precisam ser ajustadas de acordo com as características e respostas
de cada pessoa.
“Em muitos casos, reduzir o
volume e aumentar a qualidade do estímulo é justamente o que permite treinar
por mais tempo, com segurança e funcionalidade”, afirma.
Força e prevenção da perda
muscular
Outro fator relacionado ao
envelhecimento é a sarcopenia, caracterizada pela redução de massa, força
e função muscular.
Um estudo publicado em 2024
na Revista Brasileira de Educação Física e Esporte, da Universidade de São
Paulo (USP), aponta prevalência de 5% a 13% entre pessoas com 65 anos ou
mais, podendo chegar a 50% após os 80 anos.
Para Jauan, o treinamento de
força pode contribuir para que a pessoa mantenha a capacidade de realizar
atividades cotidianas.
“Treinar para envelhecer bem
é entender qual estímulo aquele corpo consegue receber, assimilar e recuperar.
A pessoa precisa desenvolver força suficiente para subir uma escada, levantar
de uma cadeira, carregar uma sacola ou reagir a um desequilíbrio. O objetivo
final é preservar a autonomia”, afirma.
Uma pesquisa longitudinal
publicada em 2025 na revista Ageing International, utilizando dados do UK
Biobank, acompanhou 1.918 adultos de meia-idade e identificou associação entre
níveis mais elevados de atividade física de intensidade moderada a vigorosa e
menor risco de desenvolvimento de sarcopenia.
Excesso de treinamento
também exige atenção
Embora a falta de atividade
física possa contribuir para a perda de capacidade funcional, o excesso de
treinamento sem recuperação adequada também pode prejudicar a evolução.
A síndrome de overtraining,
por exemplo, está associada a queda de desempenho, fadiga persistente e
alterações relacionadas à recuperação do organismo.
Por isso, Jauan destaca que
o planejamento para pessoas mais velhas deve considerar não apenas os
exercícios realizados, mas também fatores como sono, recuperação,
histórico de lesões, doenças preexistentes, nível de condicionamento e resposta
individual aos estímulos.
“Tentar combater o
envelhecimento com uma lógica de treinamento que não respeita o próprio
envelhecimento é um perigo. A pessoa que quer continuar ativa aos 60, 70 ou 80
anos precisa pensar em consistência, não em provar todos os dias quanto
consegue suportar”, afirma.
Segundo o profissional, uma
estratégia adequada deve priorizar a continuidade da prática ao longo dos anos,
respeitando os limites e as necessidades individuais.
“Uma prescrição inteligente
é aquela que permite que você continue treinando amanhã, no próximo mês e nos
próximos anos”, conclui.
A prática de exercícios
físicos deve ser orientada de acordo com as condições individuais de cada
pessoa, especialmente no caso de idosos com doenças preexistentes, histórico de
quedas ou outras limitações funcionais.

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