Um caso de automedicação com
consequências graves chama atenção para os riscos do uso de medicamentos sem
orientação profissional, especialmente quando a decisão é influenciada por
conteúdos divulgados nas redes sociais. Um estudante de Brasília precisou ser
internado após desenvolver um quadro de hepatite medicamentosa depois de
utilizar, por conta própria, um remédio contra vermes indicado em uma
publicação na internet.
O jovem, identificado apenas
pelas iniciais G.O.F., relatou que decidiu usar a nitazoxanida 500 mg —
conhecida comercialmente como Annita — após assistir a uma recomendação em uma
rede social sugerindo o uso anual do medicamento para prevenção de parasitoses.
Sem procurar orientação
médica, ele seguiu uma das orientações descritas na bula e tomou o medicamento
durante três dias, com doses a cada 12 horas. Inicialmente, não percebeu
qualquer reação diferente.
Os primeiros sintomas
surgiram de forma discreta, com episódios de enjoo, dificuldade para se
alimentar e constipação intestinal. Para aliviar o desconforto, ele ainda
recorreu a medicamentos de uso comum, como dimenidrinato, omeprazol e
simeticona.
Apesar de uma melhora
inicial, o quadro evoluiu rapidamente.
“Quando vi meus olhos
amarelos, fiquei assustado. A urina com cor semelhante à de Coca-Cola foi o
sinal definitivo de que precisava procurar atendimento”, relatou.
Além do amarelamento dos
olhos, o estudante percebeu urina escura, fezes muito claras e aumento do
cansaço, embora não apresentasse dores intensas.
Ele procurou inicialmente
uma Unidade Básica de Saúde (UBS), onde exames laboratoriais revelaram
alterações importantes nos indicadores do fígado. Os resultados apontaram
níveis elevados de enzimas hepáticas, com TGO acima de mil, TGP superior a 2
mil e bilirrubina em torno de sete.
Diante dos resultados, o
estudante foi encaminhado ao pronto-socorro com suspeita inicial de intoxicação
medicamentosa. Hipóteses como obstrução biliar e cálculos na vesícula também
foram investigadas.
Exames de imagem, incluindo
ressonância magnética, descartaram alterações estruturais e reforçaram o
diagnóstico de hepatite medicamentosa.
O jovem permaneceu internado
durante 12 dias e descreveu o período como um momento de medo e insegurança.
“Foi como perder o controle
do corpo. A cor dos olhos realmente muda, e isso assusta muito”, afirmou.
Com a suspensão da
substância e acompanhamento médico, o quadro apresentou evolução favorável e o
fígado iniciou processo de recuperação.
Hoje, o estudante admite que
errou ao recorrer à automedicação.
“Fui irresponsável. Deveria
ter procurado um médico antes”, reconheceu.
Ao compartilhar a
experiência, ele faz um alerta sobre os riscos de seguir orientações de saúde
encontradas na internet.
“Não tome remédio sem
orientação, mesmo que pareça algo simples. Você pode ser aquela pessoa que
reage de forma diferente”, alertou.
Especialistas reforçam que a
automedicação pode provocar efeitos adversos graves e que o uso de qualquer
medicamento deve ser feito com avaliação médica, principalmente quando há
indicação baseada apenas em conteúdos de redes sociais.

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