O
trio preso com 248,9 kg de cocaína na BR-222, em Caucaia, no Ceará, em
2024, foi condenado pela Justiça Federal na última segunda-feira
(11). Juntos, os réus vão cumprir, em regime fechado, quase 40 anos de
reclusão, por envolvimento em um esquema internacional que trouxe drogas do
Paraguai.
Os
homens foram condenados por tráfico de drogas e associação para o tráfico, e
tiveram agravante pelo caráter interestadual do crime, pois
chegaram a transportar substância ilícita entre estados brasileiros.
"Os
elementos dos autos demonstram, com sobra, a existência de associação estável e
permanente entre os três réus, voltada à prática do tráfico de drogas",
pontuou o Juízo da 12ª Vara Federal na sentença.
Além
da condenação, a Justiça Federal confirmou a perda dos bens apreendidos com os
réus no dia da prisão, como o caminhão e o Corolla.
Foram
condenados:
Delmir
Fanin: 15 anos, 6 meses e 6 dias de reclusão.
Jorge
Antônio Quiñones Gonzalez: 13 anos, 3 meses e 18 dias de reclusão.
Carlos
Ricardo Zago: 11 anos e 1 mês de reclusão.
Delmir
teve a maior pena, pois era reincidente no crime. Ele dirigia um Corolla que
prestava apoio ao caminhão lotado de drogas. Já Jorge, paraguaio, era
passageiro do veículo.
O
motorista do caminhão em que foram achados os 248,9 kg de cocaína era o
paranaense Carlos Ricardo Zago.
As
defesas dos agora condenados tentaram pedir uma redução de pena por
"tráfico privilegiado", aplicado a pessoas que não são traficantes de
carreira, mas a Justiça negou, pois afirma que ficou comprovada a associação
criminosa estruturada.
Durante
o processo, os advogados tentaram alegar ilegalidades nas diligências, como
busca ilegal e quebra da cadeia de custódia das provas digitais, mas ambas as
teses foram descartadas pela Justiça.
A
defesa de Jorge afirmou que vai recorrer da sentença, "por não concordar
com os termos da condenação", por acreditar "na inocência de seu
cliente, o que será comprovado perante o Tribunal".
.
O Diário do Nordeste solicitou posicionamentos às defesas dos outros
dois condenados e aguarda retorno.
Justiça
destaca operação criminosa 'sofisticada'
A
sentença dos réus pontua que a quantidade de droga apreendida indica uma
"operação de larga escala". Ainda segundo a Justiça Federal, "os
réus participaram de um esquema de transporte de cocaína advinda do exterior,
dentro de um processo bem elaborado de acondicionamento da droga, com
monitoramento de perto por parte do grupo".
A
decisão pontua ainda a "sofisticação" da operação criminosa para
evitar a ação policial.
A
apreensão da droga foi realizada pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) na
madrugada do dia 14 de abril de 2024, após o setor de inteligência da
Corporação identificar um caminhão sem nota fiscal, sem manifesto e,
"provavelmente vazio", que veio do Paraná, sendo acompanhado por um
automóvel Corolla, veículo reconhecido pelos agentes como "batedor de
drogas".
Um
"batedor", na linguagem policial, é um carro que faz a escolta e dá
suporte ao crime de tráfico de drogas. O veículo fazia o "reboque" do
caminhão, e "batia" os percursos para evitar possíveis fiscalizações
policiais e alertar o motorista do caminhão no qual a droga estava
escondida.
"Além
disso, a escala e a sofisticação da operação - 248,9 kg de cocaína, coordenação
entre três pessoas com funções definidas, uso de comunicação criptografada,
deslocamento interestadual organizado e pagamento de R$ 10 ao motorista -
demonstram que os réus não eram agentes eventuais ou periféricos, mas
integrantes de uma estrutura criminosa organizada", explicou a decisão que
condenou o trio.
Como
foi a rota do tráfico?
Segundo
a investigação, o caminhão dirigido por Carlos Zago saiu do Paraná, em data não
especificada, enquanto o Corolla que iria servir de escolta começou a ser usado
no dia 4 de abril de 2024, quando Delmir e Jorge viajaram de avião de Cascavel
(PR) para Fortaleza.
Assim
que chegaram à Capital cearense, saíram com o carro em direção ao interior do
Ceará, além de passar por estados que fazem divisa, como o Piauí, segundo dados
de monitoramento.
Registros
do sistema de monitoramento de tráfego da PRF apontam que, no dia 13 de abril
de 2024, horas antes da abordagem policial, os dois veículos passaram a
trafegar juntos, com uma pequena diferença de intervalo, o que acendeu um
alerta.
Com
base em informações de câmeras, consultas e relatos da PRF, o caminhão e o
Corolla foram vistos juntos nas seguintes datas e trechos:
08/04/2024
– Juntos no Maranhão (cidades de Santa Inês e Matões do Norte).
13/04/2024
– 15h – Juntos em Buriti dos Lopes/PI.
13/04/2024
– 23h – Juntos em Canindé/CE.

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