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A previsão do mercado
financeiro para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA),
referência oficial da inflação no país, passou de 5,3% para 5,33% este ano. A
estimativa está no Boletim Focus desta segunda-feira (22), pesquisa
divulgada semanalmente pelo Banco Central (BC) com a expectativa de
instituições financeiras para os principais indicadores econômicos.
Mesmo após o anúncio de
acordo para o fim da guerra no Oriente Médio, que vem pressionando o preço dos
combustíveis e de alimentos, a previsão para o IPCA até o fim deste ano foi
elevada pela décima quinta semana seguida, estourando o intervalo da meta que
deve ser perseguida pelo BC.
Estabelecida pelo Conselho
Monetário Nacional (CMN), a meta é 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto
percentual. Ou seja, o limite inferior é 1,5% e o superior, 4,5%.
Em maio, o preço dos
alimentos pressionou a inflação oficial, que fechou em 0,58%. O IPCA acumulado
em 12 meses ficou em 4,72%, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística (IBGE), já fora do teto da meta de inflação.
Para 2027, a projeção da
inflação subiu de 4,1% para 4,15%. Para 2028 e 2029, as estimativas são de 3,7%
e 3,5%, respectivamente.
Taxa Selic
Para alcançar a meta de
inflação, o Banco Central usa como principal instrumento a taxa básica de
juros, a Selic, definida atualmente em 14,25% ao ano pelo Comitê de Política
Monetária (Copom) do BC. Na última reunião, semana passada, por unanimidade, o colegiado
reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual, pela terceira vez seguida, apesar das
tensões em torno do fim da guerra no Oriente Médio.
De junho de 2025 a março
deste ano, a Selic ficou em 15% ao ano, o maior nível em quase 20 anos. O
Copom iniciou o corte dos juros em março, num cenário de queda da inflação. No
entanto, a guerra no Oriente Médio, que se refletiu no aumento dos preços de
combustíveis e de alimentos, dificultou a queda da taxa em ritmo mais elevado.
Nessa reunião, o Copom
apontou a permanência de incertezas sobre os termos do acordo para cessar os
conflitos armados e as consequências dos efeitos já materializados como
determinantes para a decisão de reduzir a Selic. O comitê informou ainda que o
tamanho total do ajuste dos juros dependerá dos próximos dados econômicos, com
o objetivo de garantir que a inflação volte à meta.
Nesta edição do Focus, os
analistas de mercado elevaram a estimativa para a taxa básica até o fim de
2026, de 13,75% ao ano para 14% ao ano. O próximo encontro do Copom para
definir a Selic será nos dias 4 e 5 de agosto, quando, para o mercado, deverá
ocorrer a última redução do juro no ano.
Para 2027 e 2028, a previsão
é que a Selic seja reduzida para 12% ao ano e 10,25% ao ano, respectivamente.
Em 2029, a taxa deve ficar em 10% ao ano.
Quando o juro sobe ou fica
alto por muito tempo, o crédito encarece, ficando mais caro para quem compra no
cartão, nas parcelas de produtos e no financiamento de imóveis, levando a uma
perda de força no consumo. Assim, taxas mais altas também podem dificultar a
expansão da economia.
PIB e câmbio
Nesta edição do boletim do
Banco Central, a estimativa das instituições financeiras para o crescimento da
economia brasileira este ano saiu de 1,96% para 1,98%. Para 2027, a
projeção para o Produto Interno Bruto (PIB, a soma dos bens e serviços
produzidos no país) permanece em 1,7%. Para 2028 e 2029, o mercado financeiro
estima expansão do PIB em 2% para os dois anos.
No primeiro trimestre de
2026, a economia do país cresceu 1,1% na comparação com o último trimestre de 2025. No acumulado de
12 meses, houve expansão de
2%, de acordo com o IBGE.
Em 2025, a economia
brasileira cresceu 2,3%, com expansão em todos os setores e destaque para a
agropecuária. O resultado representa o quinto ano seguido de crescimento.
No Focus desta semana, a
previsão da cotação do dólar está em R$ 5,20 para o final deste ano. No fim de
2027, estima-se que a moeda norte-americana fique em R$ 5,27.
*Conteúdo da Agência Brasil

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