Apontado como líder de quadrilha de sequestradores, 'Fabinho da Pavuna' tem pedido para trabalhar fora da prisão negado pela Justiça - NA BOCA DO POVO

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terça-feira, 23 de junho de 2026

Apontado como líder de quadrilha de sequestradores, 'Fabinho da Pavuna' tem pedido para trabalhar fora da prisão negado pela Justiça

 


Conhecido por seu envolvimento em sequestros, assaltos e resgates de detentos, Francisco Fabiano da Silva Aquino, o "Fabinho da Pavuna", voltou ao centro de uma disputa judicial. Considerado pelas autoridades como um preso de alta periculosidade, ele teve negado pela Justiça do Ceará o pedido para deixar a unidade de Segurança Máxima onde está custodiado para exercer atividade laboral externa.

 

A decisão foi tomada por unanimidade pelos desembargadores da 1ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE).

 

Segundo a defesa, Fabinho progrediu do regime fechado para o semiaberto há cerca de um ano e, por isso, teria direito ao benefício previsto na Lei de Execução Penal. A advogada Erbênia Rodrigues argumenta que o detento mantém bom comportamento carcerário e permanece em uma unidade de segurança máxima devido à inexistência de estabelecimento adequado ao regime semiaberto no Ceará.

Apesar dos argumentos apresentados, a Justiça manteve a negativa. A defesa ainda recorreu da decisão.

 

Ataque cinematográfico a presídio

O nome de Fabinho da Pavuna ganhou notoriedade no mundo do crime por sua participação em organizações criminosas especializadas em extorsão mediante sequestro e resgates de presos.

 

Um dos episódios mais marcantes atribuídos ao grupo ocorreu em 10 de fevereiro de 2011, quando um ataque armado ao Instituto Presídio Professor Olavo Oliveira II (IPPOO II), na Região Metropolitana de Fortaleza, resultou na fuga de dez detentos.

 

Na ocasião, homens fortemente armados dispararam tiros de fuzil contra policiais militares posicionados na muralha da unidade, enquanto comparsas rendiam agentes penitenciários no interior do presídio. A ação ocorreu em plena luz do dia e foi considerada uma das mais ousadas já registradas no sistema prisional cearense.

 

Entre os resgatados estava Alexandre de Sousa Ribeiro, conhecido como "Alex Gardenal", apontado pelas investigações como braço-direito de Fabinho e considerado, à época, um dos criminosos mais perigosos do Estado. Também conseguiram escapar três envolvidos no furto ao Banco Central de Fortaleza, ocorrido em 2005.

 

As investigações apontavam que Fabinho e Gardenal mantinham um acordo para organizar resgates sempre que um dos dois estivesse preso. O pacto já havia sido colocado em prática em dezembro de 2005, quando Gardenal liderou a fuga de Fabinho durante seu deslocamento para uma audiência no Fórum de Maracanaú.

 

Condenação por sequestro

Fabinho da Pavuna também responde por um sequestro ocorrido em maio de 2006. Conforme o processo, a vítima foi abordada por criminosos armados ao sair de uma academia no bairro Montese, em Fortaleza, e permaneceu em cativeiro por quase 20 dias, sendo libertada apenas em 12 de junho daquele ano.

 

A investigação conduzida pela extinta Divisão Anti-Sequestro (DAS), então comandada pelo delegado Jaime Paula Pessoa Linhares, conseguiu reunir provas que ligaram diretamente Fabinho e Alex Gardenal ao crime.

 

Um dos principais elementos da investigação foi a apreensão de R$ 25 mil que faziam parte do valor pago como resgate. Antes da entrega aos sequestradores, a Polícia Civil orientou a família da vítima a registrar os números de série e demais características das cédulas.

 

Posteriormente, parte desse dinheiro foi encontrada em poder de Fabinho e Gardenal. A conferência dos registros confirmou que as notas apreendidas eram as mesmas utilizadas no pagamento do resgate.

 

Outro elemento considerado decisivo foi a identificação do veículo utilizado no crime. Segundo as investigações, o carro havia sido adquirido em uma negociação realizada na Feira da Parangaba com participação direta de Fabinho.

 

Para o Judiciário, as provas reunidas não representavam simples coincidências ou indícios isolados, mas evidências concretas da participação dos acusados na ação criminosa.

 

O Ministério Público do Ceará defende a manutenção da condenação proferida pela 3ª Vara Criminal. O processo segue em tramitação no Tribunal de Justiça do Ceará, enquanto recursos apresentados pela defesa aguardam julgamento.

 

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