Ucrânia reage à exclusão de atleta nos Jogos de Inverno e fala em “momento de vergonha” - NA BOCA DO POVO

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quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

Ucrânia reage à exclusão de atleta nos Jogos de Inverno e fala em “momento de vergonha”

 


O governo da Ucrânia reagiu com críticas à decisão do Comitê Olímpico Internacional (COI) de desclassificar o piloto de skeleton Vladislav Heraskevich dos Jogos Olímpicos de Inverno de Milão-Cortina 2026. O atleta foi impedido de competir após se recusar a substituir o capacete que utilizava, o qual trazia imagens de esportistas ucranianos mortos na guerra contra a Rússia.

 

A medida foi condenada pelo ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andrii Sibiga. Em publicação nas redes sociais, ele afirmou que o COI “vetou não apenas o atleta ucraniano, mas também a sua própria reputação”, classificando o episódio como um momento que será lembrado com vergonha pelas futuras gerações.

 

Em nota oficial, o COI informou que o competidor não poderia participar dos Jogos por ter se recusado a cumprir as diretrizes da entidade sobre manifestações de atletas. A decisão foi confirmada por um porta-voz do Comitê Olímpico Ucraniano.

 

Segundo o COI, na terça-feira (10/2) foi предложada uma alternativa ao atleta: utilizar uma braçadeira preta em vez do capacete com as imagens. Na manhã seguinte, Heraskevich se reuniu com a presidente da entidade, Kirsty Coventry, que reiterou a posição do comitê. Ainda assim, ele manteve a decisão de não alterar o equipamento.

 

Diante da recusa, o caso foi encaminhado aos juízes da Federação Internacional de Bobsleigh e Skeleton (IBSF), que decidiram pela desclassificação com base no regulamento sobre equipamentos. O COI informou, então, que retirou a credencial do atleta para os Jogos de 2026, alegando que, apesar de diversas conversas, não houve acordo.

 

Porta-bandeira da Ucrânia na competição, Heraskevich havia treinado anteriormente usando o chamado “capacete memorial”, de cor cinza, com imagens serigrafadas de atletas ucranianos mortos no conflito. Após a decisão, ele declarou na rede social X: “Este é o preço da nossa dignidade”.

 

O presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, também se manifestou. Em publicação no Instagram, afirmou que a decisão “parte o coração” e acusou o COI de trair atletas que fizeram parte do movimento olímpico ao impedir homenagens aos que morreram na guerra. Ele citou nomes como o patinador artístico Dmytro Sharpar e o biatleta Yevhen Malyshev, além de outros esportistas mortos no conflito.

 

Zelensky acrescentou que Heraskevich lembrou ao mundo o custo da luta enfrentada pelo país e que essa verdade não deveria ser tratada como manifestação política inadequada em um evento esportivo.

 

O piloto anunciou que pretende recorrer da decisão. Segundo ele, há precedentes em que o COI autorizou homenagens semelhantes, e uma apelação formal já está sendo preparada para tentar garantir sua participação utilizando o capacete.

 

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