O governo da Ucrânia reagiu
com críticas à decisão do Comitê Olímpico Internacional (COI) de desclassificar
o piloto de skeleton Vladislav Heraskevich dos Jogos Olímpicos de Inverno de
Milão-Cortina 2026. O atleta foi impedido de competir após se recusar a
substituir o capacete que utilizava, o qual trazia imagens de esportistas
ucranianos mortos na guerra contra a Rússia.
A medida foi condenada pelo
ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andrii Sibiga. Em publicação nas
redes sociais, ele afirmou que o COI “vetou não apenas o atleta ucraniano, mas
também a sua própria reputação”, classificando o episódio como um momento que
será lembrado com vergonha pelas futuras gerações.
Em nota oficial, o COI
informou que o competidor não poderia participar dos Jogos por ter se recusado
a cumprir as diretrizes da entidade sobre manifestações de atletas. A decisão
foi confirmada por um porta-voz do Comitê Olímpico Ucraniano.
Segundo o COI, na
terça-feira (10/2) foi предложada uma alternativa ao atleta: utilizar uma
braçadeira preta em vez do capacete com as imagens. Na manhã seguinte,
Heraskevich se reuniu com a presidente da entidade, Kirsty Coventry, que
reiterou a posição do comitê. Ainda assim, ele manteve a decisão de não alterar
o equipamento.
Diante da recusa, o caso foi
encaminhado aos juízes da Federação Internacional de Bobsleigh e Skeleton
(IBSF), que decidiram pela desclassificação com base no regulamento sobre
equipamentos. O COI informou, então, que retirou a credencial do atleta para os
Jogos de 2026, alegando que, apesar de diversas conversas, não houve acordo.
Porta-bandeira da Ucrânia na
competição, Heraskevich havia treinado anteriormente usando o chamado “capacete
memorial”, de cor cinza, com imagens serigrafadas de atletas ucranianos mortos
no conflito. Após a decisão, ele declarou na rede social X: “Este é o preço da
nossa dignidade”.
O presidente ucraniano,
Volodimir Zelensky, também se manifestou. Em publicação no Instagram, afirmou
que a decisão “parte o coração” e acusou o COI de trair atletas que fizeram
parte do movimento olímpico ao impedir homenagens aos que morreram na guerra.
Ele citou nomes como o patinador artístico Dmytro Sharpar e o biatleta Yevhen
Malyshev, além de outros esportistas mortos no conflito.
Zelensky acrescentou que
Heraskevich lembrou ao mundo o custo da luta enfrentada pelo país e que essa
verdade não deveria ser tratada como manifestação política inadequada em um
evento esportivo.
O piloto anunciou que
pretende recorrer da decisão. Segundo ele, há precedentes em que o COI
autorizou homenagens semelhantes, e uma apelação formal já está sendo preparada
para tentar garantir sua participação utilizando o capacete.

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